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Hortas urbanas abastecem restaurantes em Curitiba

Foi no dia em que a chef Manu Buffara, do promissor restaurante Manu, de Curitiba, encheu três caixas em uma das hortas comunitárias da cidade, perguntou aos moradores quanto custava e teve como resposta: “nada, isso é lixo”, que nasceu o projeto Horta do Chef. O que a comunidade tratava como “lixo”, PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), flores, formação de coentro, salsinha, virou alimento sustentável e fonte de renda.

O programa Hortas Comunitárias já existia em Curitiba desde 1986, e desde que Manu se envolveu em 2016, o projeto tomou outros contornos. Filha de agricultor, Manu, já próxima de produtores da Grande Curitiba, foi convidada a participar do projeto que uniu cozinheiros e comunidades.

Das 25 hortas com apoio técnico da prefeitura e seus 433 mil m2, duas, que envolvem 188 famílias no sul da capital paranaense, agora além de abastecerem parte das comunidades vão para a mesa de dez restaurante curitibanos. “A intenção é o próprio chef ir escolher”, diz Manu, que vai de uma a três vezes por semana colher hortaliças e cuidar de uma “horta mãe”, que mantém com novas sementes.

Quando todos ganham

“As comunidades viram a importância que têm para a cidade. De produzir seu próprio alimento, comer bem, diminuir o peso e melhorar a saúde. Descobriram alimentos que antes achavam que era mato e criaram renda”, diz Manu. “Passamos essa educação, de ver o vegetal de outras formas. Por exemplo, com raspas da casca do limão dá para aromatizar óleo, fazer chá, com o bagaço, fazer doces. E ainda leva o que restar para a composteira”, explica a chef, que procura mais duas hortas para dobrar o programa.

Antes de fornecerem parte da produção aos chefs, as hortas estavam com excedente de produção, doando para entidades sociais. “A horta urbana é o resgate do contato com a terra, que muitos pais e avós dessas pessoas tiveram. A do chef é uma mudança de mentalidade, com maior planejamento. Houve uma resistência inicial, mas se adequaram”, diz Luiz Gusi, secretário municipal do Abastecimento.

Além da qualidade na alimentação e a apropriação do espaço pelas famílias, ainda há os benefícios da integração social e da mudança do comportamento ambiental. E o investimento para fazer essa mudança é muito baixo, avalia Gusi.

Em junho, duas hortas receberam o projeto Jardins de Mel, sobre a importância das abelhas para o equilíbrio da biodiversidade do agroecólogo Felipe de Jesus, levado à prefeitura por Manu. Ao todo, dez caixas de colmeias de três espécies de abelhas nativas sem ferrão ajudam a aumentar a qualidade e a produção das hortaliças com a polinização. Os agricultores também estão aprendendo a retirar os subprodutos como própolis e mel.

Manu Buffara tem muito a comemorar, além da expansão e sucesso do Horta do Chef, o seu restaurante, Manu, ganhou no mês passado o prêmio One to Watch (“Para Ficar de Olho”) do Latin America’s 50 Best Restaurants 2018, como o mais promissor da América Latina para entrar na lista dos 50 melhores, hoje com nove estabelecimentos brasileiros – o mais bem colocado é o D.O.M. (5º), do chef Alex Atala, em São Paulo.

Metro Jornal

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