DABANCHENG, CHINA - SEPTEMBER 2: (CHINA OUT) A oil truck runs past wind turbines at the Dafancheng Wind Power Plant, the largest of its kind in Aisa, on September 2, 2007 in Dafancheng of Xinjiang Uygur Autonomous Region, China. Xinjiang is rich in wind resources and its installed capacity of wind generators is over 180,000 kilowatts. Xinjiang has been noted in ancient times along the old silk road as a political and commercial centre. It is the hub of an important commercial region, bordering Russia, Afghanistan, Kazakhstan, Tajikistan, Kyrgyzstan and Uzbekistan with Pakistan to its south. (Photo by China Photos/Getty Images)

Por que a China está liderando a revolução de energia renovável

Investimentos no país e no exterior podem impulsionar avanços tecnológicos que servirão de exemplo para outros países.

A China está no centro de uma transformação global impulsionada por avanços tecnológicos e pela queda do custo das energias renováveis. No início de 2017, o gigante asiático anunciou que iria investir US$ 360 bilhões em energia renovável até 2020 e acabar com os planos para construir 85 usinas de carvão. Em março, as autoridades chinesas informaram que o país estava superando as metas oficiais na busca por eficiência energética e na participação de fontes limpas em sua matriz energética. E, em julho, a agência reguladora de energia lançou novas medidas para reduzir a dependência do país em relação ao carvão.

Os chineses são responsáveis por uma participação cada vez maior da demanda global por energia, ao mesmo tempo em que cai o consumo mundial. Fatores como o aumento da eficiência energética em edifícios residenciais, industriais e comerciais e a menor demanda de energia no transporte, devido à proliferação de veículos autônomos e ao compartilhamento de viagens, explicam essa redução.

De acordo com o relatório, “Além do superciclo: como a tecnologia está remodelando a oferta e a demanda por recursos naturais“, produzido pelo Instituto McKinsey, essas tendências estão diminuindo o crescimento da demanda de energia primária. Se a adoção rápida de novas tecnologias continuar, essa demanda poderá atingir o pico em 2025. E com o uso de energia menos intensivo e o aumento da eficiência, a produtividade da energia na economia global poderia aumentar entre 40% e 70% nas próximas duas décadas.

Enquanto a demanda de energia está diminuindo, a participação da China está aumentando. Em 2035, a China pode representar 28% da demanda mundial de energia primária, hoje acima de 23%, enquanto os Estados Unidos poderiam representar apenas 12% em 2035, abaixo dos 16% de hoje.

No seu 13º Plano Quinquenal, o governo chinês pretende reduzir a intensidade energética em 15% entre 2016 e 2020. E eles já estão em vias de atingir esse objetivo. No Congresso Nacional do Povo da China, no início deste ano, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang informou que a intensidade de energia da China caiu apenas 5% no ano passado.

As energias renováveis são uma das razões para a redução na intensidade do uso de recursos da China. Com a esperança de se tornar um líder mundial no campo, o país está investindo mais de US$ 100 bilhões em energia renovável em seu território todos os anos. É o dobro do investimento norte-americano e mais do que o investimento anual combinado dos EUA e da União Europeia. Isso faz da China o mercado mais atrativo do mundo em energia.

Além disso, a China investe US$ 32 bilhões – mais do que qualquer outro país – em fontes renováveis no exterior, com as empresas chinesas assumindo a liderança nas cadeias globais de valor de energia renovável. No Brasil, a China será o maior investidor em projetos diversos, mas principalmente em energia.

A State Grid Corporation, – companhia chinesa que já investiu R$ 2,4 milhões no Rio de Janeiro – planeja desenvolver uma rede de energia que se baseia em turbinas eólicas e painéis solares em todo o mundo. Os fabricantes de painéis solares estimam uma vantagem de custo de 20% em relação aos seus concorrentes dos EUA, devido a economias de escala e desenvolvimento de cadeia de fornecimento mais avançado. E os fabricantes chineses de turbinas eólicas, que gradualmente preencheram suas lacunas de tecnologia, agora representam mais de 90% do mercado doméstico chinês, em comparação com apenas 25% em 2002.

É possível que eles enfrentem desafios à medida que a China deixa de usar os combustíveis fósseis para dar cada vez mais espaço aos renováveis dentro de um setor de recursos global em mudança. Sua economia ainda é altamente dependente do carvão, o que implica custos consideráveis à medida que se muda a capacidade para outros recursos, como o gás natural e as energias renováveis.

Outro fator é a construção de painéis solares e parques eólicos, que está criando uma grande quantidade de resíduos. Os produtores chineses estão se sentindo mais pressionados a reduzir custos e melhorar a eficiência para compensar o crescimento lento da demanda global.

Apesar desses obstáculos, a inovação tecnológica deve ajudar os produtores chineses a obter ganhos de produtividade e os consumidores a economizar. De acordo com a McKinsey, até 2035, as mudanças na oferta e demanda das principais commodities poderiam resultar em economia de custos total de US$ 900 bilhões para US$ 1,6 trilhão.

A escala dessas economias dependerá não somente da rapidez com que a nova tecnologia é adotada, mas também da forma como os formuladores de políticas e as empresas se adaptam ao seu novo ambiente. Mas, acima de tudo, dependerá da China.

E a sua experiência na redução da intensidade energética pode servir de roteiro para os países em desenvolvimento. E seus investimentos em energias renováveis no país e no exterior podem criar avanços tecnológicos que reduzirão os custos para os consumidores em todos os lugares.

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