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Caatinga, um bioma resiliente e cheio de vida

Um mundo cinza, sem água, sem esperança e sem vida? É assim que você vê a Caatinga (do Tupi, caa: mata e tinga: branca, mata ou floresta branca), a única floresta 100% brasileira? Hoje (28/4), no Dia Nacional da Caatinga e, também, Dia da Educação, vamos dar um passeio por esse bioma que, muitas vezes, é relegado e sofre preconceito.

Com 844.453 km² (IBGE, 2004), seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhuma outra região do mundo. A Caatinga abrange os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão, e também a faixa norte de Minas Gerais. E faz limite com outros três biomas do país: a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. De todos os estados em que o bioma ocorre, o Ceará é o que possui a maior área.

Mas que tal colorirmos um pouco o olhar sobre a Caatinga? Porque lá tem bicho, tem planta, tem água, tem gente e muita vida. Prova disso é o projeto “No Clima da Caatinga”. Realizado pela Associação Caatinga, ele atua com seis linhas de ação: Criação e Gestão de Áreas Protegidas; Pesquisa Científica; Restauração Florestal; Tecnologias Sustentáveis; Educação Ambiental; e Comunicação.

O “No Clima” atua em 40 comunidades em Buriti dos Montes (PI) e em Crateús (CE). Desde 2011, desenvolve ações que unem conservação do bioma, uso racional de seus recursos naturais e desenvolvimento sustentável nas comunidades sertanejas.

Família atendida pelo projeto No Clima da Caatinga. Foto: Éden Barbosa
Família atendida pelo projeto No Clima da Caatinga. Foto: Éden Barbosa

Educação, sustentabilidade e conservação

“Isso para nós foi, assim, fantástico, porque, inicialmente, nós professores tivemos capacitação. Em seguida, recebemos material didático, que nos proporcionou, como educadores, uma nova maneira de se trabalhar a educação ambiental.” A declaração é do professor de Matemática, de Buriti dos Montes (PI), Seomar da Cruz Vieira. Ele explica, ainda, que “os outros livros didáticos trabalhavam mais aqueles biomas que a nível nacional são mais importantes, fauna e flora do Sul e do Sudeste, enquanto não tratavam do bioma em que estamos inseridos”.

Com atenção, cuidado, amor e tecnologia, quem vive no semiárido não precisa deixar as suas casas e ir embora por causa da seca. Com vontade e trabalho, a água brota e a natureza produz. “A gente carregava água na cabeça. Aí, com o passar dos tempos, os invernos foram diminuindo e acabou as águas, as cacimbas”, conta a dona de casa Antônia Elisabete de Sousa Soares, também de Buriti dos Montes, que, por causa da seca, pensou em ir embora, até que uma cisterna de placas foi instalada. Agora ela tem água direto, que não usa todo dia. Economiza.

Dona Núbia aprendeu a reaproveitar a água para regar as plantas do seu quintal. Foto: Kelly Cristina
Dona Núbia aprendeu a reaproveitar a água para regar as plantas do seu quintal. Foto: Kelly Cristina

Já a agricultora Antônia Núbia Cardoso, de Crateús (CE), aprendeu a reaproveitar a água da pia, do banheiro, da máquina de lavar roupa e, assim, pôde regar melhor as suas plantas. “Quando a gente acorda, o primeiro lugar é no quintal, e o quintal é produtivo”. Segundo ela, “dá bastante goiaba, tem as bananas, tem também pimentinha, cebolinha, coentro, mamão e cana”.

Enquanto isso, de volta a Buriti dos Montes, a agricultora Antônia Gomes Bezerra, passou a usar o fogão ecoeficiente, reduzindo o consumo de lenha, danoso ao meio ambiente, e a fumaça dentro de casa, um mal à saúde. “Gastava muito mais lenha. Agora não. Essa daí [aponta a lenha guardada] dá para um monte de dias.”

E que tal cozinhar com o sol da Caatinga? É o que vem fazendo a merendeira escolar Antonia Aglair Ferreira Farias, de Crateús, que aprendeu com o projeto “No Clima da Caatinga” a usar o forno solar. “Asso bolo, faço frango, peixe, arroz, feijão, baião. Tudo o que eu puder economizar no fogão a gás, eu faço nele.”

Agora, dona Aglair economiza muito gás de cozinha com o forno solar. Foto: Associação Caatinga
Agora, dona Aglair economiza muito gás de cozinha com o forno solar. Foto: Associação Caatinga

Apiário, coleta de sementes, compostagem e reciclagem

Além de toda essa tecnologia e da educação ambiental, o projeto também ensinou os agricultores da região a criar a abelha Jandaíra, a coletar sementes das espécies nativas e a fazer compostagem.

O coletor de sementes e condutor de trilhas de Buriti dos Montes, Antônio Jozinaldo Soares da Silva, conta que, toda tarde, ele, sua mãe e sua tia “tá lá junto no mato. Toda tarde a gente vai”. Ele aprendeu a coletar, manusear e plantar. Além de preservar a natureza, ainda complementa a renda da família.

Na hora de plantar as espécies coletadas, tem compostagem. Seu Antônio Rodrigues da Silva, agente de saúde e agricultor, gostou muito da ideia. “Foi uma grande evolução. No canteiro, na planta, que não tinha força para produzir.”

Para completar, a limpeza do lixo no meio da Caatinga. “Aqui era muito difícil para nós, porque tinha muitos animais que morriam, devido eles consumirem aqueles plásticos”, explica Antonieta de Souza Araújo, agricultora de Crateús. “Com os coletores, isso não acontece mais.” A coleta é feita 100% na cidade e 85% na zona rural. O material é separado e levado para a cooperativa de catadores, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Crateús  (Recicratiú).

O Brasil tem muito a aprender com a Caatinga, esse bioma resiliente, e com essa gente guerreira e mais resiliente ainda, que se reinventa a cada dia. O projeto “No Clima da Caatinga” é uma verdadeira aula, e mostra que é possível fazer diferente, mudando o bioma e nosso olhar sobre ele.

Para conhecer um pouco mais:

As entrevistas foram extraídas do Documentário “O mundo do Raimundo”, com autorização da Associação Caatinga.
Saiba mais sobre o projeto No Clima da Caatinga.
Saiba mais sobre a Caatinga.
Material de educação ambiental para download.

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