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Entrevista: Renata Florentino

A Fundação Verde entrevistou a socióloga e coordenadora da ONG brasiliense Rodas da Paz, Renata Florentino, para saber um pouco mais sobre o estudo inédito intitulado Perfil do Ciclista Brasileiro. Lançado em dezembro de 2015, o estudo avaliou a faixa etária de 5.012 usuários de bicicleta das cidades de Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Manaus (AM), Niterói (RJ), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP), os principais destinos e também quais são os maiores problemas enfrentados por quem optou por se locomover de uma maneira mais sustentável. Confira!

Fundação Verde: A ONG Rodas da Paz é uma das organizações parceiras do estudo Perfil do Ciclista Brasileiro. Como foi essa parceria? Qual foi o trabalho da Rodas da Paz no estudo?

Renata Florentino: A pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro é uma iniciativa da ONG Transporte Ativo com patrocínio do Itaú e equipe técnica do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Observatório das Metrópoles. As organizações parceiras foram Ciclourbano (Aracaju), BH em Ciclo (Belo Horizonte), Pedala Manaus, Mobilidade Niterói, Mobicidade (Porto Alegre), Ameciclo (Recife), Bike Anjo Salvador, Ciclocidade (São Paulo) e União dos Ciclistas do Brasil, além da Rodas da Paz, que coordenou o trabalho de coleta de dados e análises no DF.

Fundação Verde: De acordo com sua experiência frente a ONG, qual é o maior desafio das cidades para que o uso de bicicleta como meio de transporte seja mais frequente entre a população?

Renata Florentino: O maior desafio para aumentar os índices de participação das formas de transporte ativo (que incluem não apenas o uso da bicicleta, mas também os deslocamentos a pé) no deslocamento das pessoas nas cidades é a humanização das vias. Humanizar as vias requer um esforço conjunto no sentido de reduzir limites de velocidades, requalificar o espaço urbano, pensando aspectos como a acessibilidade de calçadas, arborização, oferta de praças e espaços de convivência e a integração com o transporte público.

Fundação Verde: Existe um registro das melhores e piores regiões do Brasil para se pedalar?

Renata Florentino: Nas regiões norte e nordeste, sobretudo nas cidades de pequeno e médio porte, o uso da bicicleta como meio de transporte é mais intenso, ainda que não se tenha estrutura cicloviária em proporções e de qualidade adequadas. Nas capitais ainda há muito que se avançar. Antigamente os ciclistas demandavam estrutura para se pedalar, hoje as cidades (e os governos) são quem devem pedir para que a população pedale, dados os benefícios que essa atividade gera para toda a cidade.

Fundação Verde: Como é o nível de educação do motorista e do ciclista brasiliense?

Renata Florentino: A percepção do direito da bicicleta em transitar pelas ruas vem melhorando a cada ano, sendo que cada vez mais os motoristas do DF compreendem que o espaço viário deve ser compartilhado. No entanto, apesar de registrarmos uma tendência de queda das fatalidades envolvendo ciclistas na última década, em 2015 esse número aumentou, revertendo essa tendência histórica. Assim, ainda faltam campanhas educativas que alcancem toda a população e ações fiscalizatórias efetivas por parte do Estado. Muitos motoristas ainda não conhecem ou simplesmente não respeitam as regras em relação à boa convivência com o ciclista. E as melhorias tem acontecido mais devido às ações dos grupos organizados da sociedade e ao fato da bicicleta estar sendo vista como uma tendência do que devido à eficiência da política pública.

Fundação Verde: O que os idealizadores e parceiros do Perfil do Ciclista Brasileiro esperam que seja feito após os resultados desse estudo com relação a políticas públicas que incentivem o uso de bicicleta como transporte?

Renata Florentino: A pesquisa levantou questionamentos que permitissem que o ciclista brasileiro avaliasse a estrutura cicloviária da cidade, assim como informações sobre faixa etária, principais destinos, tempo de viagem, motivações para utilizar a bicicleta, renda e outras informações relevantes. São informações inéditas, que servem como subsídios para que gestores públicos, urbanistas e outros atores envolvidos formulem uma agenda mais precisa e robusta de políticas públicas e ações de promoção do transporte cicloviário – podendo ser utilizado tanto por entidades da sociedade como por gestores públicos. Esses dados poderão, assim, fortalecer a defesa por políticas públicas de mobilidade sustentável.

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