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O cuidado com o bem comum pode derrotar os mitos da modernidade

Infelizmente vivemos um tempo de muitas crises. A crise econômica é a que muito nos assusta. Contudo, estamos vivendo outras crises tão graves quanto a primeira. Vivemos, por exemplo, a crise política e a crise ecológica.

Estas crises são expressões ou manifestações externas da crise ética, cultural e espiritual da modernidade. A humanidade precisa mudar e tudo precisa tomar um novo rumo. A atual geração, pós-revolução industrial, criou alguns mitos que devem ser revistos imediatamente.

O individualismo é o primeiro deles. As pessoas são autorreferenciadas e perderam a capacidade de entender que o DNA que carregamos veio de uma única Eva, nossa mãe africana ou de um Criador Divino, e que vamos ter um mesmo destino sempre. Nascemos, vivemos e morremos.

Somos parceiros de um mesmo projeto e crescemos culturalmente se nos relacionamos com os outros da nossa espécie. Aprendemos com os erros e acertos dos nossos ancestrais. Não somos uma ilha autossuficiente. Tentar viver isolado nos desumaniza.

O progresso tem um fim humano, voltado para o bem comum e tem limites. Os homens inventaram máquinas para medir tempo e velocidade e acabaram confundindo o tempo e a velocidade da ficção com os reais.

Na natureza, o tempo e a velocidade nunca são os mesmos. O tempo que uma árvore necessita para crescer e virar adulta, dá flores e frutos nunca é igual, depende de muitos fatores. O tempo dos animais, dos plânctons, das algas, também são diferentes.

A natureza fornece tudo de que o progresso precisa e cobra apenas o respeito com o tempo e a velocidade para sua regeneração. O progresso ilimitado rompe com a lógica natural. O verdadeiro progresso deve respeitar a vida e trabalhar por ela e para ela.

Nos dias atuais a concorrência virou a regra. As pessoas são estimuladas a uma constante disputa que inibe a colaboração e a proteção aos mais frágeis, sejam eles seres humanos ou seres não humanos. No caso dos humanos, a sociedade descarta os jovens e os idosos, ficando com os mais produtivos e os que estão aptos ao consumo. Com isso perde-se o futuro e deixa-se de explorar a experiência dos mais velhos.

Os mitos que abordamos até aqui têm um proposito, servem para alimentar uma sociedade dominada pelo consumismo impositivo de um mercado sem regras, no qual vence aqueles que atuam sem levar em conta os princípios éticos e morais. É a sociedade dos descartáveis, onde as coisas são feitas para serem substituídas e fazerem a roda da concentração de riquezas girar em favor de poucos.

O consumismo utiliza o egoísmo humano, os seres autorreferenciados, e têm dois combustíveis que os movimentam: O primeiro deles é a chamada obsolescência programada, os produtos saem das fábricas com vida útil determinada e vão quebrar após um número certo de horas de utilização, depois disso quebram, não têm conserto ou o conserto é caro e não justifica fazê-lo, o melhor a fazer é descarta-lo; O segundo mecanismo para impulsionar o consumo é a obsolecência perceptível. O consumidor percebe que o produto que comprou ontem já está defasado. Um outro produto mais moderno já foi inventado e o consumidor precisa dele para satisfazer o seu individualismo exacerbado e estimulado por meio de propaganda ou de outros artifícios de marketing.

Para derrotar os mitos que estão nos levando para destruição civilizatória, precisamos mudar o rumo de tudo. A responsabilidade com o bem comum é de todos, principalmente quem exerce poder, no caso os que detém cargos público obtidos por meio da política. O Estado tem obrigação de investir para que os mais lentos, fracos ou menos dotados possam também ter oportunidade de vencer na vida. Isto se aplica para seres humanos e não humanos. As pessoas, através das diversas entidades da sociedade devem estabelecer diálogos, visando o cuidado da natureza, a defesa dos pobres, construção de uma rede de respeito e de fraternidade.

José Carlos

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