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Os riscos de comprar animais em pet shops

Em entrevista exclusiva à Fundação Verde, a diretora administrativa da organização não governamental brasiliense ProAnima, Valéria Sokal, respondeu algumas perguntas relacionadas ao comércio de animais em feiras e pet shops, considerados impróprios devido a maneira com que o animal é exposto.

De acordo com Valéria, as pessoas que tiverem interesse em obter um animal devem fazer uma ampla pesquisa antes da aquisição. Ela aponta, por exemplo, alguns cuidados que as pessoas devem ter ao adquirir animais, como o nível de atividade do bichinho, o seu temperamento, além de contabilizar as despesas geradas pelo animal. Animal não é brinquedo.

Confira abaixo a entrevista completa.

Fundação Verde: De acordo com a apuração da Fundação Verde Herbert Daniel, a Ong ProAnima defende a suspensão da venda de animais em feiras. Porém, a venda de animais em pet shops também é bastante questionada pela maneira com que os animais são expostos e tratados. Qual é a principal justificativa para essa defesa?

Valéria – ProAnima: São várias as razões pelas quais a ProAnima é contra a venda de animais em feiras e pet shops. As pessoas vêem o animal, gostam e acabam comprando por impulso seu ou de seus filhos. Antes de ter um animal, a pessoa/família precisa avaliar aspectos como:

Se o orçamento comporta e a família está disposta a arcar com as despesas necessárias para manter o animal: vacinas anuais, vermífugos, proteção contra pulgas, carrapatos e o mosquito transmissor da leishmaniose, além de assistência veterinária. Outro ponto é com relação a rotina. Ter um animal altera a rotina. É importante ter horário para dar o alimento, água limpa, recolher as fezes. Se for um cão, levá-lo para passear e se exercitar. Se mora em apartamento, pensar no tempo que o animal ficará sozinho diariamente.

Outro aspecto importante a levar em conta é que este animal viverá por uma certa quantidade de anos e a família deve estar ciente disso e disposta a mantê-lo consigo, mesmo quando muda de residência. Infelizmente, muitas pessoas só se lembram do animal nas vésperas da mudança, para descobrir que não terá lugar para ele.

Para aqueles pais que cedem ao desejo dos filhos de ter um animal, lembrar que criança não cuida. Por mais que os filhos prometam que vão cuidar, passada a novidade, seu interesse passa para outras coisas. Mesmo em casos de filhos adolescentes. Sempre sobra para os pais! Um animal é outro filho em termos de trabalho para os pais. Um adulto precisa supervisionar e orientar a relação da criança com o animal, cuidar da alimentação, controle de vacinas, vermífugos, saúde do animal, medicações quando necessário. Animal não é brinquedo! Se os pais não têm tempo para arcar com mais esse trabalho que é cuidar de um animal, é uma ótima oportunidade para os pais ensinarem os filhos que só se tem animais quando se pode cuidar adequadamente deles!

Outra questão é que filhotes não devem ser expostos em feiras pelo altíssimo risco de contraírem doenças infectocontagiosas como cinomose, parvovirose. A família compra um animal aparentemente sadio, leva para casa e, uns dias depois o animal começa a apresentar sintomas da doença. Além do risco da doença, há o estresse pelo qual os filhotes passam ao saírem de junto da mãe, do seu local, ficarem numa gaiola, com muitas pessoas ao redor, muitas vezes no sol, sem água. O melhor a fazer é conhecer o animal no seu local, junto da mãe, ver como ela é tratada, como é a higiene do local. Caso contrário, a pessoa corre o risco de comprar um problema, além de incentivar esses comerciantes inescrupulosos, que vêem no animal nada mais do que um produto.

Para finalizar, nada é mais encantador que um filhotinho. Mas, eles crescem! Ao levar para casa, não fazem suas necessidades no local adequado, roem aquele seu sapato novo, seu chinelo preferido, os móveis. São cheios de energia! Filhotes precisam ser educados, é preciso ter paciência para ensiná-los a fazer suas necessidades no local adequado, precisam comer várias vezes ao dia, brincar, além disso, eles choram.

Fundação Verde: A ProAnima auxilia pessoas que não queiram mais seus animais de estimação? Vocês recebem demanda nesse sentido?

Valéria – ProAnima: Infelizmente recebemos diariamente pedidos para receber animais de pessoas que não os querem mais. Muitas vezes, diante das primeiras dificuldades, as pessoas desistem de seus animais. Orientamos para que repensem, busquem uma solução para contornar os problemas e fiquem com seus animais. Caso não seja possível, que pelo menos busquem um bom e responsável adotante e acompanhem essa adoção para ver se o animal está sendo bem tratado. Outro problema comum são pessoas que não castram seus animais que acabam procriando. Na primeira ninhada dão para os amigos, conhecidos, mas logo não há ninguém mais a quem doar. Aí querem “doar” a ninhada para a ProAnima. Não se dão conta que, em poucos meses, estarão enfrentando o mesmo problema. Castrar seu animal, além de dar saúde a ele, dá tranquilidade ao seu guardião!

Fundação Verde: Quais ações podem ser feitas para diminuir a venda indiscriminada e o consequente abandono desses animais?

Valéria – ProAnima: Primeiro, jamais comprar um animal em feira ou pet shop. Quer mesmo um animal de raça, procure antes informar-se sobre a raça, suas necessidades, características, temperamento, nível de atividade que o animal requer, tempo médio de vida e aí ver se está de acordo com seu estilo de vida. Informar-se sobre as despesas de manutenção desse animal, planos futuros e se há realmente lugar para esse animalzinho como membro da família. Quando for mudar de casa, procure um lugar que dê para todos! Animal não é brinquedo, não é um objeto que se repassa para outro quando não nos serve mais. Ele sente, apega-se a sua família humana, sofre a rejeição!

A sociedade pode ajudar evitando comprar em estabelecimentos que vendem animais.

Larissa Itaboraí

1 Comment

  • Paulo Gastardelli
    Posted 23 de agosto de 2016

    IBGE fará censo de animais de estimação
    Pesquisa ajudará a determinar número de cães e gatos domiciliados no Brasil, onde certamente nos ajudará a ter uma visão bem mais abrangente dos problemas relacionados à abandono de animais e maus tratos.

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