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Um ano de racionamento de água no Distrito Federal

Segundo relatório da Adasa, o desabastecimento gerou bons resultados, o mês de dezembro e as primeiras semanas de 2018 tiveram boas chuvas e o quadro mais realista é de que até abril o Descoberto esteja com índice de 50%.

Hoje (16) completa um ano que os moradores de Brasília e Distrito Federal inauguraram o cotidiano de cortes no abastecimento de água promovido pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Nesse período, a população atingida pelo racionamento deixou de gastar cerca de 980 litros de água por segundo. Essa quantidade é quase o consumo de água da população de Ceilândia, que corresponde a 830 litros por segundo.

Ao todo, 1.631.549 moradores das regiões abastecidas pelo reservatório do Descoberto tiveram que se adaptar à nova rotina – ficar sem água 24 horas a cada seis dias. Após um mês os moradores abastecidos pelo sistema Santa Maria também entraram na rotina. Ao final de um ano de racionamento os candangos ficaram, em média, 2 meses sem água nas torneiras.

Em 2017, Brasília amargou a pior seca da história. Mesmo com os esforços dos candangos e com as intervenções da Caesb, o volume das barragens do Descoberto e de Santa Maria diminuía mês a mês. Até chegar ao índice de 5,3% no dia 7 de novembro – o menor da história do reservatório. O menor nível atingido pelo Santa Maria foi de 21,6%.

No último mês do ano as chuvas voltaram a cair e a capacidade do Descoberto chegou aos 30,1% no dia 31. Segundo o presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles, se não tivesse o racionamento, o Descoberto teria secado. Apesar de os reservatórios terem se recuperado, 2017 terminou com o volume de precipitações 15% abaixo do esperado. A previsão era de que o ano encerrasse com o acumulado de 1.525,9 milímetros, no entanto, choveu apenas 1.304,6 milímetros.

Cenário para 2018 – As duas primeiras semanas de 2018 começaram bem, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A capital recebeu 88,6mm de chuva desde a virada do ano, ou seja, 36% da média de janeiro, que é de 247mm. Com isso, o nível do reservatório de Descoberto, principal fonte de abastecimento da cidade, subiu de 30% para 35%, enquanto o Santa Maria se manteve estável em 53%.

Segundo relatório da Adasa publicado no final de dezembro, o Descoberto deve atingir 50% de seu volume útil até o fim do período chuvoso. Isso, levando em consideração fatores como o ritmo das chuvas, o rodízio de água, a vazão, entre outros fatores técnicos, deve garantir o abastecimento público no próximo período de seca nos meses de outono e inverno.

Com base na expectativa do clima e nas captações da Caesb, a Adasa trabalha com três cenários possíveis: um de que o ciclo de chuvas nos próximos meses seja semelhante ao dos primeiros cinco meses deste ano; um com 20% a menos de chuvas no referido período; e um com 20% a mais de chuvas. Para isso, as chuvas teriam de repetir a intensidade registrada no ciclo hidrológico de 2016/2017 – o pior da história da capital.

“A quantidade de chuva que tem caído tem nos dado um alento. No entanto, temos a expectativa de chuvas por mais quatro meses. Precisamos esperar o que virá para termos uma situação mais clara de como será a próxima seca”, esclareceu Paulo.

Obras pela água – Em 2017, a Caesb deu andamento a 12 obras com o objetivo de aumentar a captação de água em 16,5%. No total, foi investido R$ 133.619.259,62 no ano. Segundo cálculos da Caesb, a capacidade de puxar água da natureza passou de 9.500 litros por segundo para 11.076 litros por segundo no auge de captação. Esse acréscimo é suficiente para abastecer aproximadamente 880 mil habitantes – média populacional das regiões de Ceilândia, Samambaia e Recanto das Emas.

A maior parte dessa capacidade adicional está concentrada em duas obras de médio porte: o subsistema do Bananal e a obra emergencial de captação do Lago Paranoá. A construção do Bananal permitiu retirar uma média de 726 litros por segundo do córrego. A obra custou R$ 20 milhões, bancados pela Caesb com financiamento do Banco do Brasil e contribuiu com o abastecimento de 170 mil habitantes de áreas como Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Noroeste.

A obra emergencial de captação do Lago Paranoá passou a captar cerca de 700 litros por segundo do lago artificial, em uma estação no Setor de Mansões do Lago Norte. A estrutura custou R$ 42 milhões, pagos pelo Ministério da Integração Nacional, e envia água para o sistema Santa Maria/Torto.

Além dessas construções, a Caesb também fez obras para interligar os reservatórios e, assim, diminuir a demanda do Descoberto. Antes da crise hídrica o reservatório abastecia 60% dos imóveis, atualmente ele fornece água para 52%. O Santa Maria passou de 21% para 29%.

Brasília em risco – A capital do país está situada no divisor de águas das bacias do rio Paraná, do Tocantins-Araguaia e do São Francisco. Por isso a preservação hídrica no DF é essencial para garantir o fornecimento em todo o país. O estudo mais completo feito sobre o clima em Brasília é de 2015, feito pela meteorologista do Inmet, Morgana de Almeida. Ela analisou 26 parâmetros climatológicos em todo o Centro-Oeste e o que viu foi uma tendência semelhante em quase todas elas: noites mais quentes, maior número de dias secos consecutivos, maior frequência de ondas de calor.

“Vários fatores contribuem para este aumento, mas fica claro que as interferências do homem influenciam esse processo. Podemos citar a emissão de CO2 na atmosfera e a expansão urbana”, explica Morgana.

Com o crescimento urbano desordenado, grande parte do solo da capital virou cimento e esses extremos de temperatura estão mais frequentes nos últimos anos. Nos últimos nove anos, Brasília bateu seis recordes históricos de calor – dois deles em apenas uma semana, em outubro de 2015. Na capital, as temperaturas mínimas médias subiram 1,85oC e as mínimas, ou seja, as menores temperaturas do ano, subiram 2,6oC desde 1961. O número de dias com umidade do ar abaixo de 30% cresceu 50% e o número de períodos com baixa umidade quase dobrou. Em 2010 havia 48 dias a mais no ano com temperaturas máximas acima de 25oC do que em 1961. A projeção é de que a temperatura suba de 2ºC a 4ºC até 2040.

O aumento na temperatura tem um efeito direto em setores como agricultura, produção de energia e acesso a água potável. Mesmo que chova, as condições do solo para absorver a chuva, depois de três anos secos, é muito baixa. Segundo especialistas, é preciso que chova muito pra reverter as condições do solo.

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