Tendências de Sustentabilidade para 2026: Da Narrativa ao Resultado

Allan Moreno Magri
Gerente Administrativo-Financeiro e Coordenador de Projetos | Fundação Verde Herbert Daniel
Especialista em ESG, Sustentabilidade, Governança e Gestão Pública
Membro de comitês executivos ABNT/ISO (Ambiental, Auditoria, Governança e ESG)
LinkedIn: www.linkedin.com/in/allanmagri-esg

Introdução — 2026: o ano em que o ESG se converte em prática concreta

Se 2020 representou o despertar global para a urgência climática, os anos de 2023 e 2024 consolidaram os marcos regulatórios que orientam a ação institucional. Já 2025 foi marcado por uma intensificação da pressão internacional sobre governos e empresas. Agora, em 2026, vivenciamos uma mudança de paradigma: a sustentabilidade deixa de ser um diferencial estratégico para se tornar um imperativo de gestão – decisivo para a sobrevivência institucional, financeira e reputacional.

A questão não é mais se as organizações devem adotar práticas alinhadas ao ESG, mas como o fazem – de maneira autêntica, estratégica ou meramente simbólica. A COP30, realizada no Brasil em novembro de 2025, foi categórica em sua mensagem: o compromisso isolado não é mais suficiente. O que importa, agora, é a capacidade real de entrega.

A seguir, apresento um panorama das principais tendências em sustentabilidade para 2026, com foco na aplicabilidade prática, especialmente voltado a empresas, organizações da sociedade civil e gestores públicos.

1. ESG como eixo da gestão: do discurso à operacionalização

Em 2026, os princípios do ESG passam a integrar, de forma transversal, os núcleos de gestão organizacional. Os indicadores ambientais, sociais e de governança deixam de ser elementos periféricos ou restritos a relatórios e passam a compor:

• O planejamento estratégico institucional

• A alocação orçamentária e a análise de riscos

• A tomada de decisão no mais alto nível hierárquico

A adoção de frameworks como o IFRS S1 e S2, bem como de padrões consolidados como o GRI, confere rigor e elimina espaços para improvisos.

Em síntese: quem não mede, não gere. E quem não gere de forma estruturada perde credibilidade junto a investidores, financiadores e à sociedade.

2. Adaptação climática assume protagonismo

Até recentemente, a mitigação das mudanças climáticas – especialmente via redução de emissões – concentrou os maiores esforços institucionais. No entanto, diante da frequência crescente de eventos climáticos extremos no Brasil e no mundo, a adaptação ganha centralidade em 2026.

Entre os focos prioritários, destacam-se:

• Investimentos em infraestrutura resiliente

• Implementação de estratégias de gestão de riscos climáticos

• Elaboração de planos locais de adaptação

• Proteção de populações socialmente vulneráveis

Nesse novo cenário, governos locais e organizações da sociedade civil deixam de ocupar papéis auxiliares e se consolidam como agentes fundamentais na execução das políticas climáticas em nível territorial.

3. Finanças sustentáveis: recursos com contrapartidas claras

O capital direcionado a iniciativas sustentáveis tornou-se mais criterioso. Em 2026, o acesso a financiamentos voltados a projetos de impacto socioambiental positivo está condicionado à observância de três exigências fundamentais:

• Rastreabilidade das ações e recursos

• Indicadores de impacto claros e verificáveis

• Estruturas de governança robustas e transparentes

Instrumentos como títulos verdes e sociais, fundos climáticos, blended finance e endowments socioambientais estão em expansão. No entanto, apenas organizações com gestão madura e impacto mensurável conseguem acessar tais recursos.

ESG tornou-se a linguagem do capital. Quem não domina essa linguagem, não capta.

4. Responsabilidade ampliada nas cadeias produtivas

A lógica é inescapável: em 2026, o impacto de uma organização não se limita ao seu CNPJ. Cresce de forma significativa a responsabilização sobre toda a cadeia de valor, abrangendo:

• Fornecedores diretos e indiretos

• Empresas terceirizadas

• Parceiros em cadeias globais

Assuntos como direitos humanos, trabalho digno, rastreabilidade socioambiental e combate ao desmatamento ganham protagonismo. Com isso, empresas passam a ser cobradas não apenas por suas práticas internas, mas também por aquelas de seus parceiros e contratados.

5. Governança e transparência: novos pilares de competitividade

A sustentabilidade institucional não é possível sem governança sólida. Em 2026, a transparência deixa de ser mera exigência legal e passa a ser compreendida como um ativo estratégico.

Destacam-se como tendências:

• Estruturação de conselhos mais diversos e qualificados

• Integração do compliance aos princípios ESG

• Ampliação das auditorias socioambientais

• Adoção de práticas contínuas de prestação de contas

No âmbito do terceiro setor, essa transformação é ainda mais sensível. A credibilidade passa a ser o principal patrimônio institucional.

6. A dimensão social retorna ao centro do debate ESG

Após anos de foco quase exclusivo nos aspectos ambientais, 2026 marca o resgate vigoroso da dimensão social do ESG. O enfrentamento das desigualdades, a promoção da inclusão produtiva, a educação climática e a justiça social e territorial tornam-se eixos estruturantes das agendas públicas e privadas.

Sem inclusão, a transição ecológica será excludente.
Sem justiça social, a sustentabilidade será insustentável.

Conclusão — Sustentabilidade como competência essencial de gestão

Em 2026, falar em sustentabilidade como “tendência” é subestimar sua centralidade. Trata-se, agora, de uma competência básica, sem a qual nenhuma organização conseguirá prosperar a longo prazo.

Aquelas que compreendem essa nova realidade:

• Ampliam seu acesso a recursos estratégicos

• Reduzem sua exposição a riscos complexos

• Fortalecem sua legitimidade social

• Geram impactos reais e duradouros

Às que ainda apostam no ESG como mero artifício cosmético, restará enfrentar as consequências impostas pelo mercado, pela sociedade e, inevitavelmente, pelo clima.

O futuro não será sustentável por retórica.
Será sustentável por decisão, método e coragem.

Fontes e Referências

• IPCC. AR6 Synthesis Report.

• Organização das Nações Unidas. Agenda 2030 e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

• IFRS Foundation. IFRS S1 e S2.

• Global Reporting Initiative (GRI). GRI Standards.

• BNDES. Finanças Sustentáveis.

• World Economic Forum. Global Risks Report 2025.

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