Allan Moreno Magri
Gerente Administrativo-Financeiro e Coordenador de Projetos | Fundação Verde Herbert Daniel
Especialista em ESG, Sustentabilidade, Governança e Gestão Pública
Membro de comitês executivos ABNT/ISO (Ambiental, Auditoria, Governança e ESG)
LinkedIn: www.linkedin.com/in/allanmagri-esg
Introdução
Durante anos, a sigla ESG foi amplamente percebida como uma tendência emergente. Em 2026, essa percepção se transforma de forma definitiva. ESG já não é mais uma moda passageira, um discurso protocolar ou um selo estético em relatórios corporativos. A lógica mudou: trata-se agora de uma competência essencial para a execução estratégica, para a gestão de riscos, para decisões de alocação de capital e, sobretudo, para a construção de credibilidade institucional.
Se entre 2023 e 2024 a principal questão era “vale a pena investir em ESG?”, em 2026 a indagação relevante passa a ser:
👉 “Qual é o custo de não incorporar o ESG de forma séria e estruturada?”
Este artigo propõe uma análise direta e objetiva sobre as transformações do ESG em 2026 — e por que este é o ano que marcará a distinção definitiva entre organizações que geram valor concreto e aquelas que apenas reproduzem discursos vazios.
1. ESG em 2026: o fim da fase experimental
O ESG alcança, neste ano, um novo estágio de maturidade institucional. Três vetores principais sustentam esse avanço:
- A padronização regulatória;
- A pressão crescente do mercado financeiro;
- A demanda por maior transparência e efetividade nos resultados.
A consolidação de normas internacionais — como as diretrizes do International Sustainability Standards Board (ISSB) — e a integração definitiva dos riscos climáticos nas análises financeiras colocam o ESG no centro das decisões corporativas.
Em termos claros:
📌 O ESG deixou de ser pauta de marketing e passou a ocupar espaço estratégico nos conselhos administrativos.
2. O “E” de Ambiental: da narrativa à gestão de riscos
Em 2026, a agenda ambiental não se resume mais a compromissos climáticos formais. O foco desloca-se para a gestão de riscos concretos associados ao clima.
Eventos extremos, escassez de água, instabilidades no fornecimento de energia e impactos nas cadeias de suprimentos passaram a compor, de forma estruturada, o mapa de riscos operacionais e financeiros.
Mudanças práticas incluem:
- Inventários de GEE tornam-se instrumentos de gestão, não apenas peças ilustrativas;
- Metas climáticas passam a estar integradas ao CAPEX e OPEX das organizações;
- A adaptação climática ganha protagonismo ao lado da mitigação.
Empresas que ignoram a centralidade do fator climático em suas estratégias tendem a subestimar — e precificar de forma inadequada — seus próprios riscos.
3. O “S” de Social: justiça, território e legitimidade
Enquanto o pilar ambiental se fortalece tecnicamente, o componente social do ESG ganha profundidade política e relevância institucional.
Em 2026, intensifica-se a exigência por:
- Transições justas;
- Condições dignas de trabalho;
- Impactos territoriais positivos;
- Práticas de diversidade com efetividade, e não apenas retórica.
A dimensão social deixa de ser tratada como apêndice e passa a ser avaliada por sua capacidade de mitigar vulnerabilidades reais.
Organizações que não compreendem os contextos sociais em que operam — seus territórios, suas cadeias produtivas, suas relações de trabalho — enfrentam riscos concretos, tais como:
- Conflitos sociais;
- Danos reputacionais;
- Ações judiciais;
- Perda da legitimidade social para operar.
Em 2026, o “S” do ESG diz respeito à gestão qualificada de relações humanas em cenários complexos.
4. O “G” de Governança: o alicerce do ESG
A realidade é clara:
👉 Sem governança, o ESG não se sustenta.
A governança é o eixo que conecta estratégia, risco, controle, ética e tomada de decisão. Em 2026, o “G” deixa de ser o componente negligenciado e assume o protagonismo que lhe é devido.
O mercado passa a analisar com maior rigor:
- As estruturas de decisão;
- A gestão de riscos;
- Os mecanismos de controle interno;
- A transparência e rastreabilidade das informações;
- A coerência entre discurso e prática.
Não há valor em metas ambientais ambiciosas se não houver:
- Controle efetivo;
- Responsabilização clara;
- Sistemas confiáveis de monitoramento.
Governança frágil implica ESG frágil. Simples assim.
5. ESG e Finanças: capital mais exigente, menos tolerante
Um dos aspectos centrais de 2026 é a mudança na lógica do capital: os recursos financeiros tornaram-se mais seletivos e exigentes.
Investidores e financiadores estão progressivamente menos tolerantes a:
- Práticas de greenwashing;
- Compromissos genéricos;
- Indicadores sem respaldo técnico.
Passa a ser esperado:
- Métricas claras e auditáveis;
- Relatórios consistentes e verificáveis;
- Integração do risco ESG às análises financeiras.
O capital direciona-se, com mais intensidade, às organizações que:
✔️ mensuram de forma precisa; ✔️ reportam com responsabilidade; ✔️ demonstram governança séria.
As que não atendem a essas expectativas enfrentam maior custo de capital — ou, em muitos casos, a exclusão do acesso.
6. ESG no setor público e no terceiro setor: coerência e impacto
Em 2026, o ESG transcende o setor privado e passa a ser critério de avaliação também para governos e organizações da sociedade civil.
Esses atores são crescentemente cobrados por:
- Transparência na aplicação de recursos;
- Governança institucional estruturada;
- Resultados sociais mensuráveis;
- Alinhamento entre discurso e prática.
No terceiro setor, em particular, o ESG consolida-se como ferramenta de fortalecimento institucional, essencial para:
- Captação de recursos;
- Estabelecimento de parcerias estratégicas;
- Prestação de contas;
- Sustentabilidade organizacional de longo prazo.
Organizações que não se estruturam adequadamente tendem a perder espaço e relevância.
7. ESG como estratégia, não como checklist
Um equívoco recorrente ainda persiste: tratar ESG como uma lista de obrigações, um conjunto de indicadores ou um item a ser preenchido em relatórios.
Em 2026, o ESG que realmente importa é aquele que:
- Está plenamente integrado à estratégia organizacional;
- Influencia decisões em todos os níveis;
- Reduz riscos;
- Gera valor público e privado.
Não se trata de fazer mais — trata-se de fazer melhor, com método, coerência e visão de longo prazo.
Conclusão: 2026, o ano da verdade para o ESG
O ESG ingressa em sua fase mais madura — e mais desafiadora.
Organizações que trataram o tema como um exercício de marketing enfrentarão, inevitavelmente, a realidade. Por outro lado, aquelas que investiram em fundamentos sólidos de governança, gestão e impacto estarão mais bem posicionadas para prosperar.
Ao final, ESG em 2026 não se resume a atender expectativas regulatórias ou produzir relatórios vistosos. Trata-se de uma questão de sobrevivência institucional, de competitividade e de construção de legado.
Como se costuma dizer:
🌱 Sustentabilidade não é promessa. É entrega.
Referência
- International Sustainability Standards Board – IFRS S1 e S2
- OECD – Responsible Business Conduct
- World Economic Forum – Global Risks Report
- TCFD – Climate-related Financial Disclosures
- Global Reporting Initiative – GRI Standards