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Crise econômica leva ao agravamento no abandono de animais

São vários os motivos que levam as pessoas a abandonarem seus animais e, de acordo com entidades de cuidado animal, a crise econômica que o Brasil enfrenta também é uma das causas para o abandono.

É cada vez maior o número de animais domésticos abandonados. Pelo menos essa é a percepção da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa). De acordo com a entidade privada sem fins lucrativos, o número de ligações de pessoas dispostas a se desfazerem de seus animais de estimação é cada vez maior. A justificativa é de que essas pessoas não têm mais condições de ter o animal por conta das dificuldades financeiras.

Apesar de não haver nenhum estudo que comprove esse aumento, outras ONGs, como a paulistana Bem-Estar Animal, têm a mesma percepção. De acordo com eles, o número de animais abandonados cresceu consideravelmente em 2016 e boa parte das vítimas de abandono são animais já bastante idosos ou com doenças incuráveis, que demandam cuidados especiais e, por consequência, mais despesas e tempo dedicado por parte dos proprietários.

A situação descrita pelas ONGs é corroborada pelo professor e coordenador do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Oduvaldo Marques Pereira Júnior. Ele afirma que a crise econômica já está refletindo nos atendimentos dos animais. “Tem muita gente que ,de forma errada, está optando pelo abandono dos cachorros como forma de economizar”, explicou. Grande parte dessas pessoas optam por levar seus animais a ONGs e entidades que abrigam animais. No entanto, esses abrigos servem para animais que não têm lar, ou seja, animais de rua que vivem em situação de risco.

Foi por causa desse tipo de mentalidade que hoje a Suipa tem em sua sede cerca de 3.500 cachorros e 800 gatos, além dos 50 animais de maior porte, como cavalos, porcos e cabritos, em seu santuário em terreno em Itaguaí. Se antes da crise o número de ligações de gente disposta a se desfazer de seus cães e gatos era de cerca de 40 por dia, hoje chega a 70. No entanto, a resposta que a Suipa dá a quem liga hoje é: não temos capacidade de aceitar mais animais. O local de dez mil metros quadrados está lotado de bichanos à procura de um lar que lhes propicie mais conforto e sorte.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, em países pobres e emergentes como o Brasil, a proporção é de 15 filhotes de cães e 45 de gatos para cada bebê nascido.

Uma solução para minimizar o aumento de animais abandonados é a castração. Porém, muitas pessoas não optam por essa alternativa por causa do valor. Mesmo nos hospitais veterinários universitários, onde é cobrado apenas o valor do material, o investimento é alto.

Por essas e outras razões, a Suipa procura reforçar junto à população os serviços de cuidados médicos fornecidos a preço de custo. São consultas, exames e até cirurgias realizadas a preços muito inferiores aos praticados pelas clínicas veterinárias. A castração de cadelas e gatas é feita a R$ 60 enquanto que nos cães e gatos sai a R$ 50.

É importante essa conscientização de intervir para evitar a procriação indesejada e o abandono. De acordo com a Suipa, uma castração numa clínica particular tem um custo em torno de até R$ 200. Na entidade, chamada de SUS Animal, sai bem mais em conta. No local, o serviço mais caro oferecido é a cirurgia ortopédica, que não passa de R$ 550. Outro serviço oferecido é a vacinação. É possível vacinar o bicho de estimação contra a raiva por R$ 30 e contra demais doenças por R$ 40 em gatos e R$ 50 em cachorros.

“Os animais já saem daqui também castrados, vermifugados e vacinados. No caso de filhotes, a pessoa tem que se comprometer a trazê-lo quando ele completar 6 meses. No caso da adoção, fazemos um acompanhamento pós-adoção também para nos certificarmos de que o animal está sendo bem cuidado”, explica Raquel Rocha, supervisora veterinária da Suipa.

Motivos do abandono – De acordo com a pesquisa “Paixão por bichos de estimação”, apenas 41% dos donos afirmam que levarão o animal consigo, caso tenham de se mudar. Isso significa que seis em cada dez pessoas acham duvidoso que consigam fazer isso. “Existem alguns motivos compreensíveis para deixar um animal”, afirma Ricardo Dias, professor na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), “é o que acontece com quem se vê obrigado a se mudar de um imóvel maior para um menor, ou de uma casa para um apartamento, por exemplo.”

Entre os brasileiros que já tiveram um cão ou gato e não têm mais, 14% justificam a separação alegando mudança de residência. Parte dessas famílias certamente não teve alternativa, como mencionado no tópico anterior. Pelos dados de abandono, porém, grande parte poderia planejar a mudança junto com o animal, e não o fez. E outros 14% explicam a separação alegando motivos que poderiam ter sido evitados com algum planejamento. Entre os que já tiveram cães e gatos e não têm mais, 67% responderam que ele morreu, 5%, que foi envenenado, e 2% que foi roubado.

A pesquisa foi feita pelo Ibope e pelo Instituto Waltham em 2015. Incluiu 13 grupos de discussão em São Paulo, Recife e Porto Alegre e 900 entrevistas com homens e mulheres a partir de 25 anos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal. Os 900 entrevistados se dividiam em três grupos de 300 participantes cada um: donos de cães, donos de gatos e não possuidores de bicho de estimação, mas com intenção de ter um.

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