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Caso Mari Ferrer expõe a vulnerabilidade da mulher brasileira

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2020, em 2019, houve um estupro a cada oito minutos no Brasil; 57,9% das vítimas tinham, no máximo, 13 anos; e 85,7% eram do sexo feminino

Não precisamos esmiuçar a história envolvendo a influencer Mariana Ferrer para entendermos a origem de toda a polêmica que ganhou as mídias sociais e a imprensa nesta primeira semana de novembro. O caso de Mariana é o caso de toda mulher brasileira, tenha sido ela estuprada ou não, violentada de qualquer forma física ou psicológica, ou não – o que, neste último caso, seria uma raridade quando o assunto é Brasil.

Todas as mulheres neste país, apenas para circunscrever e reduzir o cenário do machismo mundo afora, é vítima de uma única questão: a supremacia masculina, a perpetuação de um patriarcado arcaico. No caso de Mariana, a situação piora muito, porque temos declarada a parcialidade da Justiça brasileira, sua misoginia, exatamente aquela que deveria ter os olhos vendados para impor o Direito com imparcialidade.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2020, em 2019, houve um estupro a cada oito minutos no Brasil. Em 2015, havia um estupro a cada 11 minutos. Em 2019, 57,9% das vítimas tinham, no máximo, 13 anos; e 85,7% eram do sexo feminino. Ao todo, foram 66.123 vítimas de estupro e estupro de vulnerável no ano passado.Em 84,1% dos casos, o criminoso era conhecido da vítima.

O número de homicídio doloso, vítimas do sexo feminino e feminicídio, também cresceu em uma comparação entre o primeiro semestre de 2019 e o mesmo período deste ano, indo de 636 casos para 648, um aumento de 1,9%.

#todosportodas

Quando um juiz aceita a alegação de que não houve dolo, portanto, a intenção de estuprar, julgando o caso como “estupro culposo”, as mulheres brasileiras são expostas a uma fragilidade e a uma desproteção ainda maiores. A situação a que foi exposta a influenciar durante o julgamento, cujo vídeo foi divulgado pelo The Intercept Brasil, mostra, mais uma vez, a inversão de papéis: a vítima passa a ser a culpada única e exclusivamente por ser mulher.

Em pleno século XXI, as mulheres brasileiras ainda têm muito pelo que lutar, muito pelo que gritar, pelo que se unir. Somente unidas, todas terão força suficiente para começar a mudar as raízes do machismo em que o Brasil está há séculos afundado. Sem união, sem um #todasportodas, nunca o país sairá desse abismo.

Além dessa união, as instituições, todas elas, precisam abraçar essa causa, assim como os políticos. Ou seja, vivemos um momento ainda mais crítico do que em todas as outras épocas de nossa jovem democracia, pois estamos sob a égide de um presidente declaradamente misógino.

O grito, então, deve ser um só: #todosportodas – todas as mulheres e, também, todos os homens conscientes, todas as instituições (escolas, igrejas, do Judiciário, do Legislativo, do Executivo, ONGs), todos aqueles que querem que as mulheres brasileiras possam circular livremente e sem medo. Pelas mulheres de hoje, por nossas filhas, por nossas netas, sobrinhas, amigas. Por todas.

 

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